A Vila Perdida de São Arnaldo (1624)
Pouco se fala sobre São Arnaldo. Não porque não existiu — mas porque parou de existir de forma inconveniente.
Durante pesquisas sobre vilas coloniais apagadas dos mapas oficiais do século XVII, deparei-me com referências fragmentadas a uma localidade chamada São Arnaldo, situada em algum ponto impreciso do litoral norte da colônia portuguesa.
“Ela aparece uma única vez em registros administrativos… e depois, nunca mais.”
O que sabemos oficialmente
Um documento arquivado em Lisboa — conhecido como Auto de Perda da Vila — declara São Arnaldo como “inabitável” após um evento ocorrido em 1624.
- Colapso estrutural da igreja central
- Abandono completo da vila
- Ausência de causa oficial registrada
O detalhe que não fecha
Em uma digitalização de baixa qualidade do documento original, há uma anotação marginal que não consta nas transcrições oficiais:
“Houve um homem.”
Não um grupo.
Não uma família.
Um homem.
A igreja que afundou
Relatos secundários indicam que o solo sob o altar da igreja simplesmente cedeu, revelando uma cavidade impossível de medir.
Um engenheiro colonial escreve em correspondência privada:
“O terreno não apresentava razão para ruir. Era como se tivesse sido retirado.”
O nome esquecido
Entre registros religiosos e cartas do Santo Ofício, surge um nome associado à vila pouco antes do evento:
Bartolomeu Baltazar
clérigo português
Não há certidão de óbito. Não há registro de retorno a Portugal. Bartolomeu desaparece dos arquivos — assim como São Arnaldo.
Conclusão provisória
Pode ter sido um desastre natural. Pode ter sido encobrimento político. Ou pode ser apenas mais um erro histórico.
Mas o padrão de apagamento levanta uma pergunta incômoda:
Por que uma vila inteira foi removida da memória
e um único homem foi removido do registro?
Comentários
JoãoRibeiro92: Nunca ouvi falar dessa vila na faculdade. Estranho demais.
L. Ferraz: De fato, a ausência de registros oficiais é um dos pontos mais intrigantes.
Ana_MedHist: Esse Bartolomeu aparece numa carta do Santo Ofício que estudei. Nada bom.
L. Ferraz: Sim, ele parece ser a chave para entender o apagamento de São Arnaldo.
Usuário deletado: Algumas coisas não desaparecem. Só aprendem a se esconder.
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