Fragmentos do Brasil Esquecido

História colonial • arquivos apagados • memórias inconvenientes

A Vila Perdida de São Arnaldo (1624)

Publicado em 17 de março de 2014 • por L. Ferraz

Mapa antigo do Brasil colonial

Pouco se fala sobre São Arnaldo. Não porque não existiu — mas porque parou de existir de forma inconveniente.

Durante pesquisas sobre vilas coloniais apagadas dos mapas oficiais do século XVII, deparei-me com referências fragmentadas a uma localidade chamada São Arnaldo, situada em algum ponto impreciso do litoral norte da colônia portuguesa.

“Ela aparece uma única vez em registros administrativos… e depois, nunca mais.”

O que sabemos oficialmente

Um documento arquivado em Lisboa — conhecido como Auto de Perda da Vila — declara São Arnaldo como “inabitável” após um evento ocorrido em 1624.

Ruínas de uma igreja antiga

O detalhe que não fecha

Em uma digitalização de baixa qualidade do documento original, há uma anotação marginal que não consta nas transcrições oficiais:

“Houve um homem.”

Não um grupo.
Não uma família.
Um homem.

A igreja que afundou

Relatos secundários indicam que o solo sob o altar da igreja simplesmente cedeu, revelando uma cavidade impossível de medir.

Um engenheiro colonial escreve em correspondência privada:

“O terreno não apresentava razão para ruir. Era como se tivesse sido retirado.”

O nome esquecido

Manuscrito antigo

Entre registros religiosos e cartas do Santo Ofício, surge um nome associado à vila pouco antes do evento:

Bartolomeu Baltazar
clérigo português

Não há certidão de óbito. Não há registro de retorno a Portugal. Bartolomeu desaparece dos arquivos — assim como São Arnaldo.

Conclusão provisória

Pode ter sido um desastre natural. Pode ter sido encobrimento político. Ou pode ser apenas mais um erro histórico.

Mas o padrão de apagamento levanta uma pergunta incômoda:

Por que uma vila inteira foi removida da memória
e um único homem foi removido do registro?

Comentários

JoãoRibeiro92: Nunca ouvi falar dessa vila na faculdade. Estranho demais.

L. Ferraz: De fato, a ausência de registros oficiais é um dos pontos mais intrigantes.

Ana_MedHist: Esse Bartolomeu aparece numa carta do Santo Ofício que estudei. Nada bom.

L. Ferraz: Sim, ele parece ser a chave para entender o apagamento de São Arnaldo.

Usuário deletado: Algumas coisas não desaparecem. Só aprendem a se esconder.

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